Publicado por VerdesTrigos em 08/02/2010 às 14:03

“Caminho sozinho noites inteiras e sonho, ou falo sozinho interminavelmente”, diz um certo Jean-Baptiste Clamance, advogado decaído, bebum de um boteco desclassificado de Amsterdam chamado México-City, a um interlocutor que o leitor nunca saberá quem é.

Primeiro grande achado de um romance curto, melhor dizendo, uma novela, que é, na verdade, a meu ver, o melhor de todos os (poucos) livros que Albert Camus escreveu. Estamos diante de um daqueles tipos da noite, dos bares que tardam em fechar e acolhem insones e estropiados, no anonimato de cidades para as quais calor humano é luxo ou frescura.

São tipos que o leitor deve conhecer – sujeitos que falam demais, que querem ser ouvidos, que se agarram ao colarinho do primeiro ouvinte em potencial que lhes apareça e não desgrudam mais, porque o desespero (que lhes aumenta a profundidade e a chatice) é completo, e nem importa que sua vítima (ou ouvinte) concorde, discorde, ouça. A técnica utilizada por Camus é esse diálogo com um desconhecido que torna o livro um longo monólogo, um fluxo ininterrupto de confissões tão viscerais quanto cínicas, colocando o leitor no epicentro do interesse: ao abrir o livro, sem divisões de capítulos por números ou títulos, os intervalos dados por espaços em branco, o leitor já entrou no universo de Clamance, que se intitula “juiz-penitente”, já foi agarrado no colarinho por ele, e será obrigado a ouvir, ou melhor, a ler.

Leia mais, in O Estalo da Palavra, de Jorge Elias Neto, autor do livro Verdes Versos

COMPARTILHAR
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • RSS
  • Technorati
  • FriendFeed
  • Live
  • MySpace
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • LinkedIn

Tags: ,


Livraria Cultura: parceria desde 2000. Compre os seus livros preferidos na Livraria Cultura.

O juiz Alexandre Morais da Rosa entrou para a história do livro digital no Brasil; publicou o 1º livro jurídico digital em formato kindle, que se encontra disponível para download na Amazon.com. O seu novo livro Jurisdição do Real x Controle Penal: Direito & Psicanálise, via Literatura foi publicado pela http://www.kindlebook.com.br/ na Amazon.Com. O livro pode ser baixado para o e-reader kindle, para iPhone e para o computador. Para ler no computador basta baixar o programa Kindle for PC e ler os livros em formato kindle. O 1º livro jurídico lançado em formato kindle do Brasil pode ser adquirido no site da Amazon. CLIQUE AQUI


VerdesTrigos é selo de publicação digital kindle da KindleBookBR. Com o livro do Dr. Alexandre Morais da Rosa criou-se um selo jurídico, o selo Delibera para publicações de cunho jurídico, que foi inaugurado com o o livro Jurisdição do Real x Controle Penal: Direito & Psicanálise, via Literatura

Lançado na semana passada, o livro Jurisdição do Real x Controle Penal: Direito & Psicanálise, via Literatura, de autoria de Alexandre Morais da Rosa, juiz em Santa Catarina, é a primeira obra jurídica em português publicada para o Kindle – o já famoso leitor de livros eletrônicos, da Amazon.com. E se a obra chama atenção por seu pioneirismo no formato eletrônico, também o faz pela forma como aborda um tema jurídico: por meio da Literatura. “As relações entre Direito e Literatura têm sido, há muito, tema de discussões na Europa e nos Estados Unidos, mas só recentemente passaram a ser debatidas em nosso país“, diz o jurista André Karam Trindade, coordenador do programa Direito & Literatura – veiculado nacionalmente pela TV Justiça.

Apesar de ainda renderem poucos estudos no Brasil, as relações entre Direito e Literatura são facilmente identificáveis. “A questão da linguagem é o grande denominador comum. Além disso, embora com finalidades bem distintas, ambas remetem à questão da interpretação e lidam com as relações humanas“, observa Karam Trindade. Entre os principais estudiosos dos pontos de encontro do Direito e da Lite ratura, ele destaca o norte-americano Ronald Dworkin, “para quem o Direito deve ser visto como um romance em cadeia“, e o belga François Ost, “que retrata as fontes do imaginário jurídico a partir da Literatura“.

Mas como a Literatura pode contribuir para o Direito? Uma das formas é antecipando questões ainda não enfrentadas pelo universo jurídico – caso de 1984, obra de George Orwell, publicada em 1949, que antecipou a problemática da invasão de privacidade. “A Literatura pode programar o Direito ao apresentar situações futuras“, afirma o advogado André Fernando dos Reis Trindade, coordenador da obra Direito e Literatura – O Encontro Entre Themis e Apolo (Juruá Editora).

Para o jurista Germano Schwartz, professor da disciplina Direito e Literatura na Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul, a Literatura humaniza o Direito. “A Literatura ajuda a demonstrar que o Direito não se desvincula da realidade social que o circunda. O poder colocar-se no lugar do outro é também uma das grandes contribuições que a Literatura pode dar ao Direito, já que tal sensibilidade é escassa nos operadores jurídicos “modernos”. Com isso, a Literatura pode recuperar a humanidade do Direito, que anda esquecida entre pilhas de processos, planilhas de metas e fóruns lotados“, analisa Schwartz.

O desembargador Ney José de Freitas, presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), que também é autor de livros de poesia, concorda que a grande contribuição da Literatura ao Direito é no sentido de sensibilizar os operadores jurídicos. “A Literatura sensibiliza, humaniza, faz com que o juiz perceba a dimensão do outro. A Literatura faz com que o juiz saia do mundo formal. Claro que ele não pode fugir da realidade processual, mas pode humanizá-la”, diz.

Via: Blog de Alexandre Morais da Rosa.

COMPARTILHAR
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • RSS
  • Technorati
  • FriendFeed
  • Live
  • MySpace
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • LinkedIn

Tags: , , , ,

Publicado por VerdesTrigos em 06/02/2010 às 18:18

“Agora, pelo que ouvi, está se preparando um grande movimento contra a publicação iniciado pelos puritanos, imperialistas ingleses, republicanos irlandeses, católicos – que confederação! Meu Deus, eu deveria receber o Nobel da Paz!”
James Joyce, segundo ele mesmo um “coletor de injustiças“, a respeito de seu controvertido Ulysses

Em seu artigo de hoje no NY Times o colunista David Brooks conta a história de um professor alemão, refugiado do nazismo, que começou a ensinar em Harvard como sempre havia ensinado na Alemanha. Ele usava alusões literárias para falar sobre ética, comunidade, misticismo e emoção, mas seus novos alunos americanos não pareciam entender. Depois de alguns anos de cátedra, mudou suas metáforas para a área de esportes e, subitamente, tudo pareceu se encaixar.
Para mim, no entanto, que não sou nem um pouco ligada em esportes, a analogia literária (e, em certos casos, coincidência ou não, também a psicanalítica) cai muito bem em qualquer campo estranho onde eu tenha dificuldade de me encontrar, e foi assim mesmo, com grata surpresa, que mergulhei meio sem querer no novo livro de Alexandre Morais da Rosa, “Jurisdição do Real x Controle Penal: Direito & Psicanálise, via Literatura“, um livro que, sinceramente, sem meias palavras: eu jamais teria lido se não o tivesse editado e convertido para o formato Kindle.
Tenho estado ao longo da vida, isso lá é bem verdade, envolvida com pequenas mas [desnecessariamente] prolongadas causas judiciais (não, gente, não se preocupem; não sou criminosa, nem traficante, nem mafiosa: apenas nasci no estrangeiro de pais brasileiros, fui comerciante num país em crise e me tornei, bem mais tarde, responsável – legal e materialmente – por minha mãe doente, há alguns anos declarada incapaz) que me levaram, em ocasiões diversas, a lamentar a subjacente injustiça do nosso sistema legal, um mastodonte intrincado, burocrático, lerdo e beirando a extinção frente aos múltiplos desafios da modernidade.
A não ser, é claro, se o juiz em questão for Alexandre Morais da Rosa, um sujeito ousado a ponto de transcender a estranheza causada nos meios jurídicos pela prometida e anunciada eliminação das pastas de papel, e mais, de adotar – antes que outros nele se arrisquem, sequer pensem em nele se aventurar – o meio eletrônico para a propagação de sua obra teórica… ops, peraí: teórica? Mas do que é que eu estou falando?
O (lá vou eu de novo) surpreendente texto de Alexandre, ao infiltrar sensibilidade literária no árido cotidiano dos tribunais, se insere sem dores políticas, sutilezas fingidas ou falsos arrependimentos, na arena vibrantemente viva da contemporaneidade, com seus padrões mutantes que não se sustentam, na maioria das vezes, por mais do que um breve modismo de verão. E são, no entanto, marcantes e determinantes para a precisão de qualquer sentença.
Ler (e publicar) o texto de Alexandre, confesso, até certo ponto me causou receio: como é que um juiz nomeado e professor de direito tem a coragem e, sim, porque não usar o termo, a chutzpah, a temeridade de se posicionar com tanta energia contra o status quo? Peraí, parei pra pensar, será que isso tudo ainda vai me implicar em algum litígio? Em guerra aberta contra a classe dos juízes que se considera, como o próprio Alexandre aponta, um clube elitista de distantes seres togados, ops, tocados, pela graça incontestável da “sabedoria divina“?
Isso tudo aconteceu, claro, antes que eu percebesse, pelas múltiplas resenhas que têm pipocado no mercado, que é esta justamente a marca registrada – e amplamente apreciada – do Juiz Alexandre Morais da Rosa, meu cliente, meu amigo e agora parceiro no novo Selo Delibera, da KindleBookBr, dedicado a textos jurídicos: respeito comigo aí daqui em diante, viu, gente?
Mas o melhor, no caso, não são simplesmente as histórias relatadas, e sim a forma refinada de relatá-las, contaminada de bom gosto e bem-vinda erudição, ufa, e nem por isso deixando de lado o [repertório] mais popular: numa boa lufada de novidade e criatividade onde menos se esperava, eu, pelo menos. Acabei fisgada. E vindicada, é claro, bem menos estrangeira e desolada no enredo kafkiano e muitas vezes distorcido da emérita justiça brasileira.
Para Alexandre Morais da Rosa, desejo muitos e muito lidos livros [digitais] publicados. E para as vetustas cortes brasileiras, o ar fresco e descontaminado que as muitas propostas inéditas deste ousado juiz catarinense prometem, para nosso consolo e delícia de vítimas leigas – e, em grande parte das vezes, involuntárias – da usual morosidade judicial. Valeu por isso, Alexandre.
***

E pra quem se espantou com a linguagem mais séria e rebuscada do que costumo usar em crônica, explico, é mais do que a influência de estilo do Alexandre: é pra que aqueles, que ostentam orgulhosamente a prática cultivada do parecer jurídico, entendam, sem problemas nem dúvida nenhuma, que se trata apenas do ponto de vista de uma cidadã comum, inocente até prova em contrário, e que se estranha cotidianamente com os meandros da (in)justiça.
Para os que são como eu, recomendo com gosto este livro.

* Noga Sklar nasceu em Tibérias, Israel, em 1952. Graduou-se em arquitetura no Rio de Janeiro. Desde 2004, dedica-se exclusivamente à literatura e escreve diariamente no Noga Bloga, seu bem-sucedido blog de crônicas. O gozo de Ulysses – As múltiplas línguas de James Joyce é seu terceiro livro publicado.

COMPARTILHAR
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • RSS
  • Technorati
  • FriendFeed
  • Live
  • MySpace
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • LinkedIn

Tags: , , , ,

Publicado por VerdesTrigos em 06/02/2010 às 18:00

Salvador Dalí (1904-1989) foi um dos excêntricos e exibicionistas artistas do Século XX. Rodeado de controvérsias pelos lugares por onde passava. Ele foi um dos primeiros a aplicar as teorias de Sigmund Freud e da psicanálise na arte de pintar, abordando o subconsciente com sensibilidade e imaginação.

Vídeos relacionados

COMPARTILHAR
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • RSS
  • Technorati
  • FriendFeed
  • Live
  • MySpace
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • LinkedIn

Tags: , ,

Publicado por VerdesTrigos em 06/02/2010 às 17:49

Nos contos de A mulher que transou com o cavalo e outras histórias (Língua Geral, 176 pp., R$ 35), João Ximenes Braga, a cidade intensa e caótica vai se formando a cada narrativa como um museu de tipos humanos, curiosos, com anseios, que não escapam do comum dos homens. Não à toa o bar, a casa de show, a praia e a rua são exemplos de habitats típicos dos contos do autor. É através de tais nichos que alguns narradores ganham invisibilidadee tornam-se investigadores em potencial da intimidade alheia. Começam a despontar, entre outros, desejos, fetiches e perversões, que trazem, em muitos casos, o sexo para o centro da cena.

Nos contos de “A mulher que transou com o cavalo e outras histórias“, a cidade serve como interlocutora para a criação ficcional de João Ximenes Braga, e vai se formando a cada narrativa como um museu de tipos humanos. Personagens têm suas vidas íntimas expostas pelo ponto de vista dos narradores, que ganham ‘invisibilidade’ e tornam-se investigadores em potencial da intimidade alheia. Nos contos, começam a despontar, entre outros, desejos, fetiches e perversões, que trazem, em muitos casos, o sexo para o centro da cena como a via de libertação ou de aprisionamento, tensionando a narrativa. A psicologia dos personagens do autor nasce da fragilidade ou da força, mas demonstram um ponto em comum – a busca de uma forma de felicidade que foge dos paradigmas da sociedade burguesa.

Blog Widget by LinkWithin
COMPARTILHAR
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • RSS
  • Technorati
  • FriendFeed
  • Live
  • MySpace
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • LinkedIn

Tags: , ,